domingo, 27 de janeiro de 2013

Não separar o que Deus juntou


Indissolubilidade do casamento

1. Também os fariseus vieram ter com ele para o tentarem e lhe disseram: Será permitido a um homem despedir sua mulher, por qualquer motivo? Ele respondeu: Não lestes que aquele que criou o homem desde o princípio os criou macho e fêmea e disse: -Por esta razão, o homem deixará seu pai e sua mãe e se ligará à sua mulher e não farão os dois senão uma só carne? - Assim, já não serão duas, mas uma só carne. Não separe, pois, o homem o que Deus juntou.

Mas, por que então, retrucaram eles, ordenava Moisés que o marido desse à sua mulher um escrito de separação e a despedisse? - Jesus respondeu: Foi por causa da dureza do vosso coração que Moisés permitiu despedísseis vossas mulheres; mas, no começo, não foi assim. - Por isso eu vos declaro que aquele que despede sua mulher, a não ser em caso de adultério, e desposa outra, comete adultério; e que aquele que desposa a mulher que outro despediu também comete adultério. (S. MATEUS, cap. XIX, vv. 3 a 9.)

2. Imutável só há o que vem de Deus. Tudo o que é obra dos homens está sujeito a mudança. As leis da Natureza são as mesmas em todos os tempos e em todos os países. As leis humanas mudam segundo os tempos, os lugares e o progresso da inteligência. No casamento, o que é de ordem divina é a união dos sexos, para que se opere a substituição dos seres que morrem; mas, as condições que regulam essa união são de tal modo humanas, que não há, no inundo inteiro, nem mesmo na cristandade, dois países onde elas sejam absolutamente idênticas, e nenhum onde não hajam, com o tempo, sofrido mudanças. 

Daí resulta que, em face da lei civil, o que é legítimo num país e em dada época, é adultério noutro país e noutra época, isso pela razão de que a lei civil tem por fim regular os interesses das famílias, interesses que variam segundo os costumes e as necessidades locais. Assim é, por exemplo, que, em certos países, o casamento religioso é o único legítimo; noutros é necessário, além desse, o casamento civil; noutros, finalmente, este último casamento basta.

3. Mas, na união dos sexos, a par da lei divina material, comum a todos os seres vivos, há outra lei divina, imutável como todas as leis de Deus, exclusivamente moral: a lei de amor. Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir. Nas condições ordinárias do casamento, a lei de amor é tida em consideração? De modo nenhum. Não se leva em conta a afeição de dois seres que, por sentimentos recíprocos, se atraem um para o outro, visto que, as mais das vezes, essa afeição é rompida. O de que se cogita, não é da satisfação do coração e sim da do orgulho, da vaidade, da cupidez, numa palavra: de todos os interesses materiais. Quando tudo vai pelo melhor consoante esses interesses, diz-se que o casamento é de conveniência e, quando as bolsas estão bem aquinhoadas, diz-se que os esposos igualmente o são e muito felizes hão de ser.

Nem a lei civil, porém, nem os compromissos que ela faz se contraiam podem suprir a lei do amor, se esta não preside à união, resultando, freqüentemente,separarem-se por si mesmos os que à força se uniram; torna-se um perjúrio, se pronunciado como fórmula banal, o juramento feito ao pé do altar. Daí as uniões infelizes, que acabam tornando-se criminosas, dupla desgraça que se evitaria se, ao estabelecerem-se as condições do matrimônio, se não abstraísse da única que o sanciona aos olhos de Deus: a lei de amor. Ao dizer Deus: "Não sereis senão uma só carne", e quando Jesus disse: "Não separeis o que Deus uniu", essas palavras se devem entender com referência à união segundo a lei imutável de Deus e não segundo a lei mutável dos homens.

4. Será então supérflua a lei civil e dever-se-á volver aos casamentos segundo a Natureza? Não, decerto. A lei civil tem por fim regular as relações sociais e os interesses das famílias, de acordo com as exigências da civilização; por isso, é útil, necessária, mas variável. Deve ser previdente, porque o homem civilizado não pode viver como selvagem; nada, entretanto, nada absolutamente se opõe a que ela seja um corolário da lei de Deus. Os obstáculos ao cumprimento da lei divina promanam dos prejuízos e não da lei civil. Esses prejuízos, se bem ainda vivazes, já perderam muito do seu predomínio no seio dos povos esclarecidos; desaparecerão com o progresso moral que, por fim, abrirá os olhos aos homens para os males sem conto, as faltas, mesmo os crimes que decorrem das uniões contraídas com vistas unicamente nos interesses materiais. Um dia perguntar-se-á o que é mais humano, mais caridoso, mais moral: se encadear um ao outro dois seres que não podem viver juntos, se restituir-lhes a liberdade; se a perspectiva de uma cadeia indissolúvel não aumenta o número de uniões irregulares.

O Evangelho Segundo o Espiritismo

domingo, 20 de janeiro de 2013

Desencarnação

A existência terrena é delimitada por dois extremos:
 
O nascimento e a morte.
 
O primeiro corresponde à chegada do Espírito no plano físico.
 
Os homens preocupam-se muito com esse instante.
 
Enxovais são preparados, quartos são arrumados, as famílias se engalanam para receber seus novos membros.
 
Isso é bom e correto, pois o ressurgimento na esfera carnal constitui uma bendita oportunidade de trabalho e progresso para aquele que nasce e para a família que o recebe.
 
Em geral, não se trata exatamente de um novo membro, mas de um antigo e querido companheiro de lutas que retorna.
 
Já o que se chama morte é o retorno do Espírito ao seu ambiente de origem.
 
Todo homem é um Espírito que habita temporariamente um corpo.
 
O organismo físico se desgasta, envelhece, adoece e morre.
 
Mas o Espírito vive e evolui para sempre.
 
A verdadeira pátria corresponde ao plano espiritual.
 
Toda existência terrena é eminentemente transitória.
 
Estranhamente, ao contrário do que se dá com o nascimento, em regra há pouco preparo para o fenômeno da morte, ou desencarnação, como chamamos.
 
Esse tema é envolto em tabus e fantasias, como se não fosse algo natural.
 
E constitui um fato inexorável.
 
Toda criatura, mais cedo ou mais tarde, verá seu corpo físico perecer.
 
Não há providência possível contra isso.
 
Por ser um fenômeno natural, deve ser tratado com naturalidade e calma.
 
Como todos morrerão um dia, nenhuma separação é definitiva.
 
O ente querido que morre apenas retorna antes ao verdadeiro lar.
 
Embora se trate de algo natural, isso não implica negar a sua gravidade.
 
Ao nascer, o Espírito traz uma programação de vida, voltada ao seu progresso e burilamento.
 
Ao término da existência, ele faz um balanço de seu comportamento, de suas vitórias e fracassos.
 
O momento do encontro com a própria consciência pode ser terrível ou maravilhoso.
 
Tudo depende do comportamento adotado durante a existência terrena.
 
O corpo físico amortece enormemente as percepções e os sentimentos do Espírito.
 
Após a desencarnação, tudo se torna muito mais vívido.
 
A alegria de um Espírito pelo dever bem cumprido possui uma intensidade inimaginável para quem permanece vinculado à matéria.
 
Mas também o remorso e a vergonha que experimenta por erros cometidos atingem proporções lancinantes.
 
A ingenuidade humana muitas vezes afirma que a pessoa  descansa ou se liberta ao morrer.
 
Mas é difícil avaliar o que significa esse pretenso descanso para quem se permitiu semear dores e misérias na vida alheia.
 
Do mesmo modo, quem gastou o tempo enredando-se em vícios e maldades não experimenta qualquer libertação ao término da existência.
 
Quem morre não vai para o céu e nem para o inferno.
 
O céu e o inferno são estados de consciência, que cada qual cria para si com o próprio proceder.
 
A cada um conforme as suas obras, disse o Mestre Divino.
 
A lição é cristalina e não permite enganos.
 
O fenômeno da morte é natural, mas muito grave.
 
Ele constitui um momento de balanço, de aferição de méritos ou deméritos.
 
Assim, importa tratar do tema com serenidade e maturidade.
 
Não há qualquer milagre ou favor envolvido.
 
Para passar com tranqüilidade por esse momento, importa viver reta e dignamente.
 
Pense nisso.


Redação Movimento Espírita

Uma jornada diferente

Há mais de dois mil anos, alguns homens seguindo seus estudos, sua fé e sua intuição, decidiram viajar.
 
Planejaram uma jornada de centenas de quilômetros, para conhecer uma criança de origem humilde e que acabara de nascer em terras distantes.
 
Não foi uma viagem qualquer, mas uma longa jornada, feita no lombo de camelos, sem conforto, sem direção totalmente definida,sem pousada certa, com noites ao relento.
 
O que os movia? A fé de que algo especial os esperava ao final de seu destino. A direção? Seguiam uma estrela, que os guiava, e confiavam em sua intuição.
 
Não desistiram, não se deixaram vencer pelo cansaço ou pela incerteza. Foram até o fim, e, seu esforço foi recompensado!
 
Eles tiveram a grande felicidade de conhecer o recém-nascido Jesus! E, diante da superioridade daquele Espírito, puseram-se em adoração, sem nenhuma dúvida sobre quem Ele era, tal a fé que os movia.
 
Levaram, de volta às suas terras, a boa notícia, e encheram de esperança a muitos que não conheceriam pessoalmente Jesus, mas que ficaram felizes, por sabê-Lo, finalmente, entre nós.
 
Poderiam esses sábios, conhecidos como magos, enviar alguém no lugar deles para, depois, fazerem uma viagem mais segura e com destino mais certo?
 
Obviamente, mas não quiseram.
 
Abriram mão de seu conforto, da segurança de suas casas, de seu trabalho e seguiram sua intuição com coragem e determinação.
 
Hoje, passados tantos anos, com certeza, a viagem seria bem mais fácil: avião, bons hotéis, alimentação certa, agendamento prévio por email, informações precisas no GPS, ou no celular.
 
E mesmo assim: quem de nós iria? Quem de nós faria uma viagem apenas para conhecer uma criança pobre, seguindo apenas nossa intuição? Façamos uma análise do quanto realmente gostaríamos de conhecê-Lo.
 
Mas Jesus, na Sua imensa bondade, facilitou esse encontro: na Sua breve passagem, pela Terra, como homem, deixou para nós uma mensagem, que está ao alcance de todos onde quer que estejamos: o amor.
 
Para conhecê-Lo, não precisamos de longa viagem, mas, sim, de uma grande modificação interior. Basta que aprendamos a amar.
 
É preciso que deixemos de lado o egoísmo, que aprendamos a ser solidários, que descubramos a caridade.
 
Não precisamos abandonar o conforto dos nossos lares, mas aprender a fornecer conforto a outros. Não precisamos passar noites ao relento, mas podemos evitar que muitos passem. Podemos seguir a Estrela Guia da Caridade e do Amor.
 
Não, não basta apenas conhecer Sua história, e falar sobre Jesus. O importante mesmo é colocar Sua mensagem de maneira prática em nossas vidas e, então, O conheceremos.
 
Cada um tem seu tempo e seu ritmo. Deus nos oferece numerosas vidas para esse aprendizado. O importante é começar e não desistir, tal qual fizeram os Magos.
 
Sim, podemos, cada um de nós, ao seu modo, ser como um dos Magos, que procura Jesus por estradas tortuosas, que se perde, mas retorna ao caminho, que cansa mas não desiste.
 
Até que, enfim, como recompensa pelos nossos verdadeiros esforços, possamos dizer: Sim, agora eu conheço nosso querido e incomparável amigo Jesus.
 
Redação Movimento Espírita

Uma vida, duas vidas, um sorriso

Foi durante a guerra civil na Espanha. Antoine de Saint Exupery, o autor do Pequeno Príncipe, foi lutar ao lado dos espanhóis que preservavam a democracia.
 
Certa feita, caiu nas mãos dos adversários. Foi preso e condenado à morte.
 
Na noite que precedia a sua execução, conta ele que foi despido de todos os seus haveres e jogado em uma cela miserável.
 
O guarda era muito jovem. Mas era um jovem que, por certo, já assassinara a muitos. Parecia não ter sentimentos. O semblante era frio.
 
Vigilante, ali estava e tinha ordens para atirar para matar, em caso de fuga.
 
Exupery tentou uma conversa com o guarda, altas horas da madrugada. Afinal, eram suas últimas horas na face da terra. De início, foi inútil. Contudo, quando o guarda se voltou para ele, ele sorriu.
 
Era um sorriso que misturava pavor e ansiedade. Mas um sorriso. Sorriu e perguntou de forma tímida:
 
- Você é pai?
 
A resposta foi dada com um movimento de cabeça, afirmativo.
 
Eu também, falou o prisioneiro. Só que há uma enorme diferença entre nós dois. Amanhã, a esta hora eu terei sido assassinado. Você voltará para casa e vai abraçar seus filhos.
 
Meus filhos não têm culpa da minha imprevidência. E, no entanto, não mais os abraçarei no corpo físico. Quando o dia amanhecer, eu morrerei.
 
Na hora em que você for abraçar o seu filho, fale-lhe de amor. Diga a ele: "amo você. Você é a razão da minha vida." Você é guarda. Você está ganhando dinheiro para manter a sua família, não é?
 
O guarda continuava parado, imóvel. Parecia um cadáver que respirava.
 
O prisioneiro concluiu: então, leve a mensagem que eu não poderei dar ao meu filho.
 
As lágrimas jorraram dos olhos. Ele notou que o guarda também chorava. Parecia ter despertado do seu torpor. Não disse uma única palavra.
 
Tomou da chave mestra e abriu o cadeado externo. Com uma outra chave abriu a lingüeta. Fez correr o metal enferrujado, abriu a porta da cela, deu-lhe um sinal.
 
O condenado à morte saiu apressado, depois correu, saindo da fortaleza.
 
O jovem soldado lhe apontou a direção das montanhas para que ele fugisse, deu-lhe as costas e voltou para dentro.
 
O carcereiro deu-lhe a vida e com certeza foi condenado por ter permitido que um prisioneiro fugisse.
 
Antoine de Saint Exupery retornou à França e escreveu uma página inesquecível: Uma vida, duas vidas, um sorriso.
 
***
 
Tantas vezes podemos sorrir e apresentamos a face fechada, indiferente.
 
Entretanto, as vozes da imortalidade cantam. Deus canta em todo o universo a glória do amor.
 
Sejamos nós aqueles que cantemos a doce melodia do amor, em todo lugar, nos corações.
 
Hoje mais do que ontem, agora mais do que na véspera quebremos todos os impedimentos para amar.
 

Redação Movimento Espírita

"Pai, tô com fome!"

Ricardinho não agüentou o cheiro bom do pão e falou: 

- Pai, tô com fome!!! 


O pai, Agenor , sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede mais um pouco de paciência... 


- Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome, pai!!! 


Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria a sua frente... 


Ao entrar dirige-se a um homem no balcão: 


- Meu senhor, estou com meu filho de apenas 6 anos na porta, com muita fome, não tenho nenhum tostão, pois sai cedo para buscar um emprego e nada encontrei, eu lhe peço que em nome de Jesus me forneça um pão para que eu possa matar a fome desse menino, em troca posso varrer o chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço que o senhor precisar!!! 


Amaro , o dono da padaria estranha aquele homem de semblante calmo e sofrido, pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele chame o filho... 


Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que imediatamente pede que os dois sentem-se junto ao balcão, onde manda servir dois pratos de comida do famoso PF (Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo... 


Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua... 


Para Agenor , uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa apenas com um punhado de fubá... 


Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada... 


A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena família em casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de 2 anos de desemprego, humilhações e necessidades... 


Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca para relaxar: 


- Ô Maria!!! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo está até chorando de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?!?! 


Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer... 


Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em paz e depois conversariam sobre trabalho... 


Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já que sua fome já estava nas costas... 


Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório... 


Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego e desde então, sem uma especialidade profissional, sem estudos, ele estava vivendo de pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que há 2 meses não recebia nada... 


Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria, e penalizado, faz para o homem uma cesta básica com alimentos para pelo menos 15 dias... 


Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem e marca para o dia seguinte seu início no trabalho.... 


Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso... 


Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança de dias melhores... 


No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria ansioso para iniciar seu novo trabalho... 


Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele sabia porque estava ajudando... 


Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro dele chamava-o para ajudar aquela pessoa...


E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o mais dedicado trabalhador daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente zeloso com seus deveres... 


Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que abriu vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar.... 


Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas primeiras letras e a emoção da primeira carta... 


Doze anos se passam desde aquele primeiro dia de aula... 


Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros , advogado, abrindo seu escritório para seu cliente, e depois outro, e depois mais outro... 


Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que fica impressionado em ver o 'antigo funcionário' tão elegante em seu primeiro terno... 


Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma clientela que mistura os mais necessitados que não podem pagar, e os mais abastados que o pagam muito bem, resolve criar uma Instituição que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida diariamente na hora do almoço... 


Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é administrado pelo seu filho , o agora nutricionista Ricardo Baptista... 


Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens, Amaro e Agenor impressionava a todos que conheciam um pouco da história de cada um... 


Contam que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia, quase que a mesma hora, morrendo placidamente com um sorriso de dever cumprido... 


Ricardinho , o filho mandou gravar na frente da 'Casa do Caminho', que seu pai fundou com tanto carinho: 


'Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e você me deu Deus, e isso não tem preço. Que Deus habite em seu coração e alimente sua alma. E, que te sobre o pão da misericórdia para estender a quem precisar!!!'

(História verídica) 

Oração em Família

'Senhor nosso Deus e nosso querido Pai, eu peço que o Senhor ilumine todos nós, nossa família, nossos amigos, nossa cidade e nossos irmãos para que possamos trilhar um caminho de mais amor e de respeito à vida e à natureza e também ao Senhor. Que a Terra e os Seres Humanos reencontrem o equilíbrio, com a extinção das guerras, do terrorismo, de bandidos e que todos os seres se conscientizem de que devemos amar uns aos outros, fazermos o bem sem olhar a quem. Foi assim que o Senhor ensinou. Senhor, que neste dia nós Te amemos mais e procuremos sempre fazer a Tua Santa Vontade. Tudo Te pedimos em nome do Teu Filho amado, nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. - Amém!'

Momento de Reflexão - Imperfeição


As faculdades intelectuais distinguem o homem no contexto da criação.
Diferente das demais espécies vivas, ele reflete sobre o significado da vida.
Um questionamento sempre presente na história da humanidade refere-se à finalidade do viver.
Em todos os tempos, sábios debruçaram-se sobre essa intrincada questão.
O Espiritismo, com base no ensinamento dos Espíritos, afirma que o objetivo da vida é viabilizar a evolução dos seres.
A vida é regida pela lei do progresso.
É inegável a permanente metamorfose que vigora em todos os quadrantes conhecidos do universo.
Gradualmente, as espécies animais e vegetais se transformam e surgem aprimoradas.
Com o homem não é diferente.
Ele está sempre em processo de aprendizado e crescimento.
A sociedade humana reflete esse lento elaborar.
As leis culturais e as instituições lentamente se aprimoram.
A extinção da escravidão e o reconhecimento da igualdade da mulher são exemplos dessa evolução.
Os homens, em sua condição de espíritos, foram criados em estado de simplicidade e ignorância.
Mas possuem desde o princípio os germens de todas as virtudes, que lhes incumbe desenvolver.
Um dia todos serão anjos.
Freqüentemente, surge a indagação: "Se Deus pode tudo, por que não criou os Espíritos já perfeitos?
Afinal, o processo de evoluir por vezes é deveras penoso.
Não seria melhor de outro modo?"
Deus, em sua sabedoria, manifestada em todas as coisas, optou por nos criar perfectíveis, mas não perfeitos.
Constitui temeridade afirmar a razão pela qual a divindade deliberou agir de uma forma, e não de outra.
Entretanto, nada nos impede de refletir sobre isso.
O resultado da perfeição imediata, generalizada e desde o princípio seria o ócio total.
Seres perfeitos, plenos de virtudes e talentos, nada teriam para fazer.
A obra da criação estaria completa, perfeita, acabada.
Aos anjos restaria a inutilidade.
Nada fazer talvez seja o sonho do preguiçoso.
Mas a sensação de ser útil, de ter um propósito na existência, é uma necessidade de seres psicologicamente saudáveis.
Na realidade, o homem tem um papel a desempenhar no concerto da criação.
Ele é útil, há uma finalidade seu viver.
O papel que lhe cabe guarda relação com o seu desenvolvimento.
Em mundos superiores, habitados por seres sublimes, o trabalho é todo intelectualizado e transcendental.
Em esferas ainda materializadas, como a terra, as tarefas permanecem penosas e materiais.
Tendo em vista que a lei do progresso rege a vida, os homens devem observá-la em seu proceder.
Incumbe-lhes serem agentes do progresso.
Eles devem auxiliar a tornar o mundo que habitam um local aprazível, justo e fraterno.
Assim, não se preocupe em excesso com as dificuldades que lhe batem às portas.
Elas se destinam a prepará-lo para seu luminoso porvir.
Com esforço e disciplina, a dificuldade de hoje se tornará a facilidade do amanhã.
Se você deseja cumprir sua missão na terra, esforce-se em ser melhor a cada dia.
Empenhe-se em amealhar tesouros intelectuais e morais.
A angelitude é a sua meta.
O ônus e o mérito de atingi-la são exclusivamente seus.
Pense nisso.
Equipe de Redação do Momento Espírita

Momento de Reflexão - Vida Religiosa


Religião significa religamento, religar, reunir a alma ao seu Criador. Esse é o sentido de religião que vem do latim religare.
A vida religiosa decorre desse sentimento religioso.
Dessa forma, não somos religiosos porque frequentamos um templo religioso ou porque tenhamos um rótulo de religião.
Tampouco porque pratiquemos esse ou aquele ritual no campo da crença.
Somos religiosos pelo estilo de vida que levamos na Terra.
Por isso, muito importante verificar como é a nossa vida religiosa.
Será que a nossa religião nos leva a vivenciar no dia-a-dia, no cotidiano, as coisas mais importantes para a nossa vida na Terra?
A vivência religiosa é um modus operandi, é um modo de ser diante da existência.
Existem indivíduos que se afirmam materialistas, ateístas mas vivem com determinada dignidade, numa linha de respeito ao semelhante, de amor ao próximo, de respeito às leis que, certamente, podemos garantir que eles têm uma vida religiosa de alto nível.
São materialistas mas não usurpam nada de ninguém. São incapazes de tripudiar sobre a ignorância ou a necessidade alheia.
Isso quer dizer que vivência religiosa, em essência, nada tem a ver com o ritual externo que chamamos de crença.
Essa vivência, para ser realmente religiosa, tem que se desenvolver de tal modo que nos conduza à religação com Deus, à ligação de novo com o Criador.
Deve nos levar à maturidade. Exige de nós reflexão e essa reflexão vai nos ajudando no processo do amadurecimento a fim de que sejamos, na condição de religiosos, pessoas alegres.
Alegria não significa viver sorrindo o tempo todo. Alegria é esse estado íntimo de saber-se representante do bem, de admitir que está fazendo aquilo para o que renasceu, cumprindo a vontade de Deus no mundo.
Cada vez que saímos de casa para trabalhar com disposição, com coragem - isso é motivo de alegria.
Quando levantamos pela manhã e beijamos nossos filhos, nos despedimos dos esposos - isso é motivo de alegria.
A vida religiosa deixa de ser a vida do templo e passa a ser a vida na vida, a nossa incorporação às Leis de Deus, nosso ajustamento à vida da sociedade, cumprindo as leis, cumprindo os nossos deveres, pagando nossos impostos, na certeza de que a religião existe para nos ensinar a viver no mundo.
A nossa vivência na Terra é um desafio e a vivência religiosa nos leva a ser pessoas dinâmicas, joviais, mas compenetradas.
Ao lado da nossa alegria, do nosso esporte, do nosso lazer, da nossa arte, sabermos que o que façamos vai alcançar outros corações, vai fermentar em outras almas, vai germinar em outros territórios emocionais.
Então, temos responsabilidades com tudo quanto dizemos, fazemos, brincamos, sorrimos, com tudo quanto cantamos, com tudo quanto gozamos.
A vida religiosa é esse mundo interno que abrimos para o mundo externo.
Lembremos Jesus Cristo que estabeleceu que a boca fala daquilo que está cheio o coração.
Pensemos nisso.
Redação do Momento Espírita, com base no Programa televisivo Vida e valores - Vida religiosa, apresentado por Raul Teixeira, sob coordenação da Federação Espírita do Paraná.